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Dia Internacional da Pessoa Idosa — Uma Homenagem à Vida

Foto do escritor: Comunicação OAB-MG Subseção Juiz de Fora
Comunicação OAB-MG Subseção Juiz de Fora
há 1 dia
2 min de leitura

1º de outubro é o Dia Internacional da Pessoa Idosa. Mais do que uma data no calendário, é um convite para olharmos para quem chegou mais longe na estrada da vida e perguntarmos: temos dado a essas pessoas o amor, o respeito e a gratidão que elas merecem?

O mundo está envelhecendo. No Brasil, o Censo 2022 registrou mais de 32 milhões de pessoas com 60 anos ou mais. E estamos vivendo mais: em 2024, a expectativa de vida do brasileiro chegou a 76,6 anos, segundo o IBGE.

Mas há uma curiosidade que poucos conhecem: o Brasil envelheceu muito mais rápido do que muitos países ricos levaram décadas para envelhecer. Em apenas 12 anos, entre 2010 e 2022, a proporção de pessoas com 65 anos ou mais no país praticamente dobrou, passando de 7,4% para 10,9%. Isso significa que estamos diante de uma transformação profunda da sociedade brasileira — e precisamos aprender rapidamente a cuidar, respeitar e incluir essa população.

Outra curiosidade surpreendente vem do mundo: as mulheres vivem, em média, mais tempo que os homens. Segundo as Nações Unidas, essa diferença está relacionada a diversos fatores sociais, biológicos e comportamentais. Por isso, entre as pessoas idosas mais longevas, as mulheres representam uma parcela especialmente significativa.

E existe ainda uma realidade que muitas vezes passa despercebida: a pessoa idosa também sustenta, protege e ampara sua família. Sua aposentadoria ou pensão, fruto de uma vida inteira de trabalho, muitas vezes ajuda a colocar comida na mesa de filhos e netos, pagar uma conta, comprar um remédio ou garantir que uma família atravesse um momento difícil. Não é apenas dinheiro. É a continuação de uma vida inteira de cuidado.

Em diferentes países, o envelhecimento ganhou características próprias. O Japão é conhecido pela elevada longevidade de sua população; na Europa, vários países convivem há décadas com uma população cada vez mais envelhecida; e, no Brasil, essa transformação acontece rapidamente. Em todos esses lugares, porém, existe uma mesma lição: uma sociedade que envelhece precisa aprender a valorizar aqueles que envelheceram antes dela.

Por isso, quando encontramos uma pessoa idosa, não devemos enxergar apenas cabelos brancos, rugas ou limitações. Devemos enxergar uma história. Cada ruga pode carregar uma luta; cada silêncio pode esconder uma lembrança; cada conselho pode trazer uma experiência que nenhum livro ensina.

Respeitar a pessoa idosa não é fazer um favor. É reconhecer uma dívida de gratidão.

Gratidão por quem abriu caminhos. Por quem trabalhou quando nós ainda nem existíamos. Por quem segurou nossas mãos quando éramos pequenos. Por quem, muitas vezes, abriu mão de si para que filhos e netos pudessem ter mais.

Um dia, se tivermos a bênção de viver muitos anos, seremos nós aqueles cabelos brancos, aquelas mãos enrugadas e aquela voz que talvez peça apenas um pouco de atenção.

Que não esperemos esse dia para compreender.

Cuidar de quem envelheceu é honrar a própria vida. Respeitar a pessoa idosa é agradecer pelo caminho que ela ajudou a construir. E tratar uma pessoa idosa com dignidade não deve nascer da pena ou da obrigação, mas da mais bonita das razões: a gratidão.


Paulo Jorge Pires Plaisant - Presidente da Comissão de Defesa dos Direitos da Pessoa Idosa da OAB/JF


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